sábado, 11 de maio de 2013

11 de maio de 2013

A dor de cabeça que tens mais não é do que a outra, que trazes no peito, a partir-se em bocadinhos e a minar-te todas as partes desse corpo pequeno. 
É uma tensão enorme, um latejar na fonte direita, uma dor intermitente alimentada pelo bater do coração. Talvez se ele parar, talvez se ele for capaz de abrandar, a dor se torne suportável. Talvez se aliviares a pressão excessiva que existe aí dentro, talvez se parares de resistir e a deixares sair-te pelas mãos e pelos pés, pelos olhos, pela boca, talvez esse peso que trazes em ti se vá também. Talvez seja disso que precises. Esmurrar e pontapear aquilo em que em tempos acreditaste. Gritar bem alto, com um brilho frio no olhar,  que te queres desfazer de tudo isso e rasgar em pedaços pequenos as imagens de sorrisos falsos. Chorar, de maxilares cerrados, os erros cometidos - assim, uns atrás dos outros, assim, afinal tão iguais uns aos outros.
Talvez queiras puxar para fora as gavetas que julgaste arrumadas e atirar ao ar, ou atirar janela fora, cada um dos elementos que em tempos te pareceram arrumados. Ou a gaveta inteira.
Atira a gaveta inteira. Atira.
Quando atirares a gaveta inteira, quando a arrancares de ti, o sangue vai pulsar-te mais devagar pelo corpo, as fontes vão parar de latejar e essa dor de cabeça - ou essa dor pelo corpo todo - vai desligar-se imediatamente.


Sem comentários:

Enviar um comentário