Há uns anos foi o covid a fazer disparar a minha ansiedade. O covid ou a maternidade. Ou talvez a maternidade e a doença tenham sido o ponto de partida. Ou talvez a infertilidade. Sei que um dia, já o covid durava há um ano, dei por mim a sentir uma pressão no pescoço, um aperto. Achei que era ele que estaria de volta. Afinal, depois de um telefonema para o meu médico e uma receita médica aviada, percebi que o que tinha era ansiedade. Ele receitara-me um ansiolítico e eu acordei ótima no dia seguinte.
Treinar às 5h30 da manhã foi algo que me ajudou, bastante, enquanto fui capaz de o fazer. Mais recentemente, já sem essa ajuda, foi o estado de saúde do Alf a ligar todos os meus alarmes.
A semana passada estava a dar uma aula. Olhei para a imagem projetada no quadro e percebi que tremia. Primeiro foi só isso. Depois senti que o chão tremia por debaixo dos meus pés. Houve um ou dois miúdos que perguntaram
- is it a earth quake?
mas o tremor foi rápido o suficiente para que eu tivesse dúvidas, para que lhes dissesse
- não, foi só alguém a saltar cá em cima.
Logo depois o meu telefone começou a apitar com mensagens, várias, e percebi que tinha acabado de enganar um grupo de alunos.
Desde aí que os meus ouvidos ficaram mais atentos e todos os meus sentidos mais alerta. Há um medo, agora acordado, que habita em mim.
No sábado, enquanto atravessava sozinha a ponte, pensei que os deixava para trás e que não estaríamos juntos se acontecesse. No início desta semana, a meio de uma reunião, ouvi um barulho e senti que o chão me tremia debaixo dos pés. Congelei. Troquei olhares com uma colega e as duas pensámos ter sentido algo. O IPMA não o mostra e não sei o que terá sido. Contudo, sinto que gelei, que estive a um bocadinho de ficar mesmo aflita.
Hoje, sozinha em casa com o F e o Alf, dei por mim a pensar “se acontece hoje, estou sozinha em casa com uma criança e um cão (parcialmente) inválido.” Talvez os dedos de duas mãos não sejam suficientes para contar o número de vezes, por dia, que tenho consultado o IPMA
Em todos os motivos que podem ter dado origem à minha ansiedade, para cada um deles, percebo que o que a gera é a impossibilidade de controlar. Todos estes eventos que fogem, completamente, aos meu controlo desestabilizam-me, tiram-me o sono, agitam-me.
- is it a earth quake?
mas o tremor foi rápido o suficiente para que eu tivesse dúvidas, para que lhes dissesse
- não, foi só alguém a saltar cá em cima.
Logo depois o meu telefone começou a apitar com mensagens, várias, e percebi que tinha acabado de enganar um grupo de alunos.
Desde aí que os meus ouvidos ficaram mais atentos e todos os meus sentidos mais alerta. Há um medo, agora acordado, que habita em mim.
No sábado, enquanto atravessava sozinha a ponte, pensei que os deixava para trás e que não estaríamos juntos se acontecesse. No início desta semana, a meio de uma reunião, ouvi um barulho e senti que o chão me tremia debaixo dos pés. Congelei. Troquei olhares com uma colega e as duas pensámos ter sentido algo. O IPMA não o mostra e não sei o que terá sido. Contudo, sinto que gelei, que estive a um bocadinho de ficar mesmo aflita.
Hoje, sozinha em casa com o F e o Alf, dei por mim a pensar “se acontece hoje, estou sozinha em casa com uma criança e um cão (parcialmente) inválido.” Talvez os dedos de duas mãos não sejam suficientes para contar o número de vezes, por dia, que tenho consultado o IPMA
Em todos os motivos que podem ter dado origem à minha ansiedade, para cada um deles, percebo que o que a gera é a impossibilidade de controlar. Todos estes eventos que fogem, completamente, aos meu controlo desestabilizam-me, tiram-me o sono, agitam-me.
Viver na minha cabeça não é fácil. Quem me dera que ao menos a ansiedade fugisse dela.
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