domingo, 25 de novembro de 2012

25 de novembro de 2012


Sento-me à chinês, daquela forma contorcida que é já minha, e abro a mala. Há um cheiro que invade o quarto e me envolve. Breves minutos em que me cheira a ti – porque este era um cheiro tão teu. Fecho os olhos e inalo com vontade, para te sentir mais perto, para te fazer presente.
Sete anos desde a última vez. Sete anos em que andei perdida, sete anos em que me procurava a mim própria ao mesmo tempo que insistia em procurar-te no exterior. Caramba, sete anos é 1/3 da minha vida, 1/3 da minha vida em que não te voltei a tocar, em que não voltei a dizer o teu nome, em que, gradualmente, me fui esquecendo da tua voz, do seu sorriso, do teu cheiro. Batalhei contra o esquecimento e ao batalhar contra ele batalhei contra deixar ir a dor. Acreditei, inocentemente, que para te manter aqui teria de viver todos os dias as dores de não te ter. Ao viver essas dores, virei-me tão para dentro, tão para o interior, que me desliguei do mundo, me desliguei de mim e perdi o sorriso feliz de outrora.
Hoje eu sei que te trarei sempre comigo. Não te recordo todos os dias, não sinto a tua falta todos os dias, mas sei que cá dentro, bem no interior de mim há um santuário que é nosso, um santuário que limpo de tempos a tempos, que nunca se fechará para sempre. Mantenho-te vivo aqui e manter-te-ei vivo em cada um dos meus dias, em cada um dos meus passos, em cada um dos desafios a que me proponho – e aos quais gostaria que assistisses. Mantenho-te vivo em sorrisos e não em lágrimas, mantenho-te vivo sem que tenha de lutar contra o esquecimento.
Vivo por mim mas vivo também um pouco por ti. Vivo como tu, vivo mostrando orgulho pelos que me rodeiam, vivo perdendo o medo dos abraços, dos aconchegos, das palavras que muitas vezes se calam com medo das emoções. Vivo por mim mas vivo contigo. 
Retiro as fotografias uma a uma, soltando gargalhadas e lágrimas, soltando risos há muito perdidos, recuperando-te a cada uma das imagens. Chego-me mais ao espelho, segurando na mão direita uma fotografia tua. Procuro sinais que salientem os laços. Há coisas, sim. Há pessoas que mo dizem às vezes e me fazem feliz. Mas sei que os sinais maiores estão cá dentro, estão na forma como falo, como me relaciono, até como escrevo. Trago-te comigo, de forma feliz, em cada um dos meus dias, por cada um dos dias. Vivo feliz.

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